Currículo (BIO)

English version below

A experiência de Mario da Silva como intérprete ao violão sempre foi relacionada à música contemporânea, especialmente a brasileira. O uso e a compreensão da técnica estendida incorporaram-se na direção que escolheu como violonista e no seu repertório de concertos. Estão nos CDS Nova Música Brasileira (1998), Desconstruída Sob Encomenda (1999) e Tu Tausan Tuelve (2012). Mario da Silva tocou música contemporânea brasileira em eventos importantes como o Festival  de Guitarras de Buenos Aires, Argentina,em 1998, e The New York Guitar Seminar, nos Estados Unidos, 2012 e 2016. Ele se apresentou ainda na Alemanha, Inglaterra, Itália, Finlândia, México, Noruega e Portugal, muitas vezes em duo com a bailarina e coreógrafa Rocio Infante. Em 2013, defendeu tese de doutorado na Unicamp sobre o tema: “Violão Expandido: panorama, conceito e estudos de caso nas obras de Edino Krieger, Arthur Kampela e Chico Mello”. O “expandido” representa para ele “uma revolução na música, em sua emissão e escuta”, ao mesmo tempo que autonomia e emancipação do violão. “Suas vogais deixaram de reproduzir sons tradicionais e suas consoantes assumiram a inovação com inflexões articulatórias do metal, da madeira, da corda de versátil frequência e distorção microtonal. A voz do violão, ao invés de palavras, fala sonoridades para expansão dos sentidos”.
Por Alvaro Collaço, produtor musical

Mario da Silva tem sido referência de talento, arrojo e criatividade. Ao longo de seus mais de 30 anos de carreira (sempre lembrada por coincidir com o nascimento de minha filha Marcela), optou desde o início por abrir espaço à música nova e seus autores, sendo ele mesmo um compositor de importância. A criatividade e a ousadia do Mario da Silva de hoje são também frutos de sua associação com a bailarina e coreógrafa Rocio Infante. O trabalho que ambos vêm desenvolvendo por vários anos, em várias cidades e países, certamente serviu para estabelecer bases de escolhas estéticas e interpretativas que resultaram neste CD. Ambos ampliaram o conceito de movimento – considerando também o parâmetro musical como movimento – a lugares pouco antes cotejados. Lembremos Merce Cunningham e John Cage. Neste novo trabalho, Mario explora técnicas estendidas para repertório de violão, fazendo conhecer inúmeras confissões e o pensamento de grandes compositores, cujo instinto criativo delega às suas respectivas obras uma sólida força estética (sem receio de pecar na imagem retórica).
Técnica estendida neste CD pode ter duas acepções. Há o uso convencional do termo “técnica estendida” como sendo toda forma de tocar um instrumento musical de maneira não convencional, como, por exemplo, percussão no violão ou o uso inesperado de objetos: copos, colheres, canetas, entre outros. Todas essas ações ampliam a paleta sonora e, consequentemente, multiplicam as possibilidades composicionais à disposição do autor. Mas também podemos lembrar que esta seleção “estende” o conceito de agrupamento de obras – ou suíte? – quando mudamos o foco do observador para abranger o conjunto das oito obras aqui registradas (deixo a observação propositadamente em aberto).
Gostaria de encerrar afirmando que Mario da Silva atinge neste CD uma fluidez e uma competência interpretativa que nos obrigam a rever o conceito do que entendemos por “interpretação”. Sua segurança técnica, aliada a um vigoroso pensamento musical (movimento, cor, forma), nos atinge como ouvintes de tal forma a considerarmos este um lançamento importante dos últimos anos. Não tenho receio em afirmar que o ouvinte terá, com este trabalho, uma grande experiência musical. Todos fomos premiados.
O Violão Expandido de Mario da Silva por Orlando Fraga

Um disco que rompe com o repertório tradicional e revela um grande intérprete.
Trata-se de um repertório corajoso, pela sua extrema dificuldade tanto de execução pelo intérprete como de decodificação por uma plateia não habituada a uma linguagem mais contemporânea. O disco é primoroso e o repertório revela diferentes linhas estéticas dos mais recentes movimentos musicais no Brasil. O conceito de Violão Expandido de Mário da Silva abrange o uso não convencional do instrumento, no que comumente é chamado de “violão estendido”, como também a exploração de novas linguagens que raramente o público tem a oportunidade de ouvir. Trata-se de uma provocação estética, mas altamente convincente e competente.  
A outra razão para este registro é a confirmação do alto nível em que se situa o músico paranaense Mário da Silva. Ele, sem dúvida, está entre os melhores violonistas do país. Tive o privilégio de ouvir o CD antecipadamente o que me causara grande impacto. Entretanto, sabemos que gravação é uma coisa e o palco outra. O palco é a “hora da verdade” para o instrumentista. O palco é onde o intérprete confirma sua musicalidade, sua segurança, sua qualidade sonora, sua personalidade artística, enfim, seu poder de conquista do público. Foi um recital memorável.
O CD apresenta obras contrastantes de SÉRGIO ASSAD, CLARICE ASSAD, EDINO KRIEGER, JAIME ZENAMON, ARTUR KAMPELA, ALESSANDRO FERREIRA e CHICO MELLO.
MARIO DA SILVA. VIOLÃO EXPANDIDO por Ricardo Tacuchian (compositor e dedicou sua Sonata 2018 à Mario da Silva)

ENGLISH

Mario da Silva’s performance career has always been related to contemporary music, especially from Brazil. Extended technique is a main focus in his concert repertoire and can also be found in his albums “Nova Música Brasileira” (1998), “Desconstruída sob Encomenda” (1999), and “Tu Tausan Tuelve” (2012). He has performed contemporary Brazilian music at such important venues as the Guitar Festival of Buenos Aires, Argentina, in 1998, and the New York Guitar Seminar, in both 2012 and 2016. In addition to numerous performances in Brazil, da Silva has performed in Germany, England, Italy, Finland, Mexico, Norway and Portugal, often in duo with dancer and choreographer, Rocio Infante. In 2013, he earned a PhD in Composition at UNICAMP with “Expanded Guitar: Panorama, Concept and Case Studies in the Works of Edino Krieger, Arthur Kampela and Chico Mello” as his study. “Expandido,” for Mario da Silva, represents “a revolution in music, in its sound origin and listening, at the same time as autonomy and emancipation of the guitar. The guitar’s vowels ceased to reproduce traditional sounds, and its consonants took on articular inflections of metal, wood, the versatile frequency of strings and microtonal distortion. The voice of the guitar, instead of words, ‘speaks sonorities’ for the expansion of the senses.”
By Alvaro Collaço, music producer

[…] The uncommon artistry and performance of Mario da Silva are also the fruit of his association with the dancer and choreographer Rocio Infante. The work that both have been developing for several years, in various cities and countries, certainly served to establish bases of aesthetic and interpretive choices that resulted in this CD. Both expanded the concept of movement – also considering the musical parameter as movement – to place it amazingly on stage. Let us recall Merce Cunningham and John Cage. 
In this new work, Mario explores extended techniques for guitar repertoire, making known countless confessions and the thoughts of great composers, whose creative instinct delegates to their respective works a solid aesthetic […]

There is the conventional use of the term “extended technique” as all manner of playing a musical instrument in an unconventional way, such as percussion on the guitar or the unexpected use of objects: glasses, spoons, pens, among others. All these actions amplify the sound “repertoire” and, consequently, multiply the compositional possibilities available to the composer.
[…] Mario da Silva achieves in this CD a fluidity […] that compels us to review the concept of what we mean by “performance”. His technical safety, combined with a vigorous musical thought (movement, color, form), strikes us as listeners in such a way that we consider this an important release of the last years. I am not afraid to say that the listener will have a great musical experience. We were all rewarded.
Mario da Silva’s Violão Expandido text for the CD by Orlando Fraga guitarist Professor of Unespar/Embap

This CD breaks from traditional repertoire and reveals a great performer. It is brave repertoire due to its extreme difficulty, for the performer to execute and the audience, not familiar with contemporary language, to decode. The recording is exquisite, and the repertoire reveals different aesthetic lines of the most recent musical movements in Brazil. Mário da Silva’s “Violão Expandido” concept encompasses the unconventional use of the instrument […] as well as the exploration of new languages that the audience rarely has the opportunity to hear. It is an aesthetic provocation, but also highly persuasive and competent.

This recording is also further confirmation and dissemination of Mário da Silva’s high level of performance. He is undoubtedly among the best guitarists in the country. I had the privilege of listening to this recording’s repertoire, live, in advance, and it made a great impact on me. We know that recording is one thing and the stage is another. The stage is the “hour of truth” for the guitarist. The stage is where the performer confirms his artistry, his sonorous quality, his personality, in short, his power of conquest of the public. Mario’s performance was a memorable recital.

The CD features contrasting works by SÉRGIO ASSAD, CLARICE ASSAD, EDINO KRIEGER, JAIME ZENAMON, ARTUR KAMPELA, ALESSANDRO FERREIRA and CHICO MELLO.
MARIO DA SILVA. EXPANDED GUITAR, by Ricardo Tacuchian.
Ricardo Tacuchian is a composer and dedicated his Sonata 2018 to Mario da Silva.

%d bloggers like this:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close